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:: Protagonismos alternativos, criações radicais

Por: Helder Miranda

Em outubro de 2010

Mídia Radical: Excelente livro de John D. H. Downing mostra como e porquê todos podem ser protagonistas hoje, e como fizeram isso no passado – em um panorama que faz uma releitura de nossa trajetória ao longo dos tempos. Sem esses “caldeirões”, segundo o autor, haveria estagnação e, consequentemente, o fim da história. Saiba mais!

Pablo Picasso afirmou que a criação da beleza não pretende ser apenas um agrado aos olhos, mas uma arma de guerra. Tal declaração joga uma luz sobre o conceito dos movimentos de contracultura, ideologicamente libertários, criados para opor a esfera hegemônica da indústria cultural, econômica, ou dos meios militares, com alguma intervenção crítica às posições dominantes, definidos como mídia radical.

Caso a contracultura, segundo definição do dicionário “Houaiss”, signifique “subcultura que rejeita e questiona valores e práticas da cultura dominante da qual faz parte”, para o ensaísta norte-americano John D.H. Downing, autor de “‘Mídia Radical – Rebeldia nas Comunicações e Movimentos Sociais” (Senac) ações de resistência e sobrevivência pelas mídias alternativas, as radicais, ganharam força a partir de uma infinidade de movimentos contra a hegemonia. Num mundo cada vez mais globalizado, sobretudo pelo papel da difusão da internet, e segmentado pelas diferenças, essas ações estão potencializadas.

Desde que o mundo é mundo, ações de contestação sempre existiram. No século XVI, Cipriano Barata, um dos mais atuantes jornalistas políticos do Primeiro Reinado, marcou as páginas da história brasileira com seu próprio jornal, “Sentinela da Liberdade na Guarita de Pernambuco”, em que hostilizava o governo imperial de Dom Pedro I e posicionava-se a favor das ideias republicanas e da autonomia das províncias.

A lógica desse processo pode ser aplicada no dia a dia: quando há uma percepção de que valores começam a se esvair, muitas pessoas que se opõem usam a comunicação para se expressarem. Inserem-se, nesse contexto, as rádios livres, o teatro de rua, as canções populares, o grafite que pode ser conferido a céu aberto, fotografias como forma de expressão, as mídias têxteis – como o vestuário, o rock de garagem, cartuns satíricos, a pornografia política, vídeos caseiros, internet, e até o corpo, com tatuagens. Imprescindível, mesmo, é que essas ações com perspectivas locais – que muitas vezes alcançam projeção nacional e até mundial – aborde necessidades que nem sempre estão na agenda das grandes corporações de comunicação e também apoio e conquiste solidariedade da população para construir uma rede contrária às políticas públicas.

 

Leia a resenha na íntegra em http://www.resenhando.com/resenhas/r27710-Midia-Radical.htm

13/10/2010 Posted by | Resenhas | Deixe um comentário